domingo, 29 de janeiro de 2012

E MINHA DADÁ PASSOU POR CIMA DOS MEUS "NÃOS" E VOU VOLTANDO À LINDA PIRANGI DO NORTE.


Fui uma boa veranista até meus filhos crescerem, afinal, menina de Muriú/RN onde começei a veranear aos seis meses de idade, em dezembro de 1945, sempre senti esse fascínio pela beleza daquela miragem, daquele céu opalino, de um mar brando e outras vezes impetuoso, quando a maré enchia e o céu se engalanava em dias de lua cheia. Muriú das rendeiras, das cocadas, dos vendedores ambulantes, do circo onde eu e Naide Dantas (quando solteiras) vez ou outra figurávamos num espetáculo e ríamos quando o pobre palhaço distribuía aqueles vidrinhos de perfumes baratos (como fininhas e pequeninas cânulas, como tubos de ensaios) e a fedentina enchia o ar! Às vezes o menino que distribuía os perfumes quebravam um ou outro em nossas cabeças e não havia água de mar que tirasse aquele cheiro insuportável.
Muriú dos arrastões famosos, do morro dos guajirus, das catraias e pequeninas jangadas em alto mar. Muriú dos meus pais, dos queridos vizinhos Dr. João Maria Furtado e Jacyra, dos meus tios Luís Lopes Varella e Antonieta, do sr. Aderson Eloy de Almeida e Deda, do sr. Herbert Washington Dantas e Nilcéia, de Manoel Pereira de Paiva e tantos outros. Muriú que teve o início dos veraneios com nossa família: Pacheco, Pereira, Antunes e Varella...Veraneios, "a priori", utilizando-se de casas modestas, compradas aos nativos e depois reformadas com o passar do tempo. Muriú das manhãs com a vitrola de Dora Furtado, movida a corda, repercutindo as canções imortais de Vicente Celestino, Silvio Caldas e por aí seguia - se o roteiro musical. Muriú que nos ofertava os passeios à beira mar até a Lagoa do Porão e as dunas de Jacumã (ainda sem nenhuma casa)...Muriú sem os ares do progresso, com aquela visão mística e mítica que jamais se apagará dos meus olhos.
Mas...foram morrendo "os maiores" e eu fui me isolando daquele oceano de ricas recordações e de uma veranista para quem três meses era um período pequeno - a minha fada-madrinha Gipse Pereira Montenegro! Era a moça loura, de olhos oceânicos, que se deleitava com aquele mundo e lá passava as melhores férias com o marido e os filhos, na casa dos nossos pais.
Muriú dos bailes no "Grupo" e das festas e a processão de São Benedito, padroeiro bem festejado, até os dias de hoje.
Muriú - poema de saudade!


ENSEADA DE PIRANGI ONDE SE PODE VER A CASA DE DUDA (MINHA IRMÃ IARA) E HAVIA UMA SUITE PARA MIM E MEUS DOIS FILHOS: ABEL E RENATO.
À MINHA DADÁ - GRAZIELA COSTA FONSECA

Ela esperou-me ontem, para a grande feijoada naquele terraço aconchegante, com os filhos, os netos, o bisnetinho e os amigos dos seus filhos, na agradável casa de Pirangi do Norte, mas...não fui.
Hoje não tive como fugir e me preparo para sentir o cheiro morno dos sargaços, que as ondas altaneiras trazem, no desfile que o vento empresta à brisa de cada hora, bordando a superfície do mar e ornamentado o rio Pirangi que faz a divisa entre Pirangi do Norte e Pirangi do Sul.
Em janeiro de 2011 passei um dia de cada vez com os meus queridos parentes e amigos veranistas. Não é que eu não goste de praia, prefiro a cidade. Nem desacato a beleza de Pirangi do Norte, onde o oceano entra em meu olhar com sua tinta azul, para escrever poesias molhadas de um azul céu e azul marinho, quando as nuvens se acasalam.
No ano passado lá estive. Dr. Fernando Ezequiel Fonseca e Dadá (Graziela) esperavam-me com a festa da alegria da afeição da amizade imorredoura. Esperavam-me naquele terraço iluminado pela luz do amor, com o jardim cheio de flores e os pés de coco - parecendo algo surreal - e o mar, mais abaixo (as casas dos irmãos Fonseca todas no mesmo nível arquitetônico, todas vizinhas, com alicerce alto protegendo-se contra as marés muito altas, possuem jardins lindos.
A entrada da casa, sempre pelos fundos, onde o Cajueiro Patrimônio daquela Praia, guarda as fruteiras que Dr. Fernando tanto apreciava.
Foi um dia de intensas alegrias com a casa cheia de netos, dos filhos e esposas, do bisnetinho - jóia preciosa aos olhos do vovô Fernando - os irmãos Nilo E Milton, as cunhadas, a presença da filha Patricia e Aluísio Bezerra - era o domingo da família, da festa dos corações que vivem juntos, dentro do lar, abrigados pelo teto e albergados pelo amor.

Chegarei na casa de Dadá, lá pelas 13 horas. É a casa dos meus amores: Dadá (Maria das Dores Gurgel Medeiros de Figueiredo) de saudosa memória; de Igara - (Igara Soares de Araújo Guerra) também passeando sua alegria pelo infinito azul, dos meus amados amigos: Edinha (Edna Maria de Macedo Fonseca) e dr. Antonio Fonseca e onde veraneia (depois da venda da casa em Porto-Mirim/RN, a minha Mana Suely Pereira Afonso há mais de uma década.
Cada praia com a sua tradição. Lembro-me dos bons momentos vividos (vez ou outra) nos veraneios de Barra de Cunhaú, na casa de Ivonete e Getúlio de Oliveira Sales (de saudosa memória) que adorava falar na chegada da lua cheia: "Não existe, em nenhum lugar do mundo, uma lua mais bonita do que esta que se abre nesse céu de meu Deus"!!! Ou na praia da Redinha, com os veranistas mais animados que conheci: Dr Murilo Delgado e Ruth (que depois passaram a veranear em Porto-Mirim/RN).
Lembro-me dos dias passei na agradável companhia dos meus amigos: Paul Vincent e Dominique (franceses de Nice/França) na praia de Pititinga/RN onde, até hoje, se fala no menino que teve uma perna devorada pelos dentes de um tubarão...
Também não descarto a beleza da linda enseada de Cotovelo, onde uma sobrinha do coração, Sandra Fernandes Bezerra (que mora em Marseille/França, casada com Laurent) e todos os anos chega para o veraneio em sua pousada "A Praia" e onde tem uma casa maravilhosa onde posso chegar a qualquer hora, para sua alegria, mas esse ano ainda não fui. Aproveito o tempo para escrever, o que mais gosto de fazer, nesse exercício do intelecto, da alma e do coração
Jacumã - a praia linda que eu conheci desde menina. Lá, as dunas eram as grandes "pirâmides" guardando o império dos belíssimos faraós: os altos e ornamentais coqueiros que executavam lindas sinfonias, com o soprar dos ventos, e onde havia, antigamente, uma verdadeira fonte de rendeiras de almofadas de bilros e a granja de "Sinhô João Pescador" com seus exuberantes pés de jaca. Em Jacumã, a partir da década de setenta, muitas casas ali foram erguidas como da minha prima Uruca (Denise, casada com Arnaldo Neto Gaspar).
Chamam a "casa dos leões" por causa de dois belos espécimes em louça, guardando a entrada daquela mansão (Nilo Pereira talvez fizesse a comparação com os galgos de louça que guardavam o Guaporé). Mas ali mora um casal muito bom, atencioso, fiel aos afetos e onde sabem receber com alegria e mimos (e a quem muito amo).

Bom, hoje eu iria passar o dia na granja dos meus amigos pernambucanos Silvinho e Mara Albuquerque...Hum!!! Mara vai cobrar...e eu não terei como pagar, sou do tipo que vai no "arranco" e eu ia para essa bela façanha com a prima deles, Suerda Medeiros Ramos. Ainda vou??? Deus é quem sabe.

Escritor é como o viciado em fotografia, "cada mergulho é um flash" e já debulhei as lembranças, agora, só sairei mais para acolá, em fevereiro, quando Eduardo Gomes de Carvalho virá me buscar para que eu conheça, em Canguaretama/RN, o seu engenho de cinco gerações de senhores de Engenho - o Pituaçu - de fogo aceso, espargindo o cheiro do melaço e abrindo o grande portão, por onde outros passaram e criaram suas raízes, suas histórias e suas lendas!

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